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As Palavras de Abril: rumo à Liberdade

As Palavras de Abril: rumo à Liberdade

Quando Portugal se encontrava reprimido pela ditadura, a palavra teve um papel fundamental na luta pela liberdade. Literatura e música deram-lhe voz. Autores como José Mário Branco, Manuel Alegre e Zeca Afonso souberam usá-la com a tenacidade e a inteligência necessárias para que se fizesse ouvir, como eco da vontade de mudança de um povo, até então amordaçado. Celebramos 48 anos da Revolução de Abril, homenageando estes três autores.

Zeca Afonso, poeta e cantautor, foi a voz da Revolução de Abril. Grândola, Vila Morena, por ele composta e cantada, foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas como senha, passada na rádio, para que se iniciasse a Revolução.  O pendor revolucionário da sua obra tinha já feito um longo caminho. Em 1963, gravou Os Vampiros, uma das primeiras canções portuguesas de intervenção, que se assumiram como instrumento cultural e cívico de resistência ao fascismo. Seguiram-se mais álbuns e uma ligação à política que o levou, por várias vezes, à prisão. Em 1973, gravou, com José Mário Branco, o álbum Venham mais Cinco, um dos grandes símbolos de oposição à ditadura.

O músico e compositor José Mário Branco foi outro autor icónico das chamadas canções de intervenção, no período que antecedeu o 25 de Abril de 1974. Foi perseguido pela polícia política (PIDE) e exilou-se em França, em 1963. Durante o exílio, lançou o álbum Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1971), com textos de autores como Natália Correia, Alexandre O’Neill e Sérgio Godinho, que tomaram a forma de letras reivindicativas – diziam tudo, nas entrelinhas, com palavras escolhidas criteriosamente. Dois anos depois, gravou com Zeca Afonso, em Paris, Venham mais Cinco. Regressou a Portugal em 1974.

Manuel Alegre estudou em Coimbra, e aí começou a participar nas lutas académicas e a escrever poemas que davam voz a essas lutas. Muitos deles foram cantados como Fado de Coimbra e permanecem até hoje no repertório académico. Outros tornaram-se canções de intervenção, como é o caso de Trova do Vento que Passa, escrito em 1963 e com versão musicada por António Portugal e cantada por Adriano Correia de Oliveira. Em 1962, o autor foi preso por recusar participar na guerra colonial. Entre 1964 e 1974, esteve exilado em Paris e em Argel. Durante este período, manteve-se interventivo na luta contra o Estado Novo, através da política e da criação literária. A sua poesia foi e é um hino à Liberdade.