AS NETAS DE BERNARDA ALBA


O conto dialoga com a peça de Federico García Lorca (1898-1936), A casa de Bernarda Alba (1936), ao aproveitar a mesma conjuntura que motiva o drama: após o funeral do marido de Bernarda, ela e as cinco filhas ficam recolhidas em confinamento completo em casa, por oito anos, tempo de vivência do luto na cultura daquele povoado da Andaluzia. O enredo trágico se cria, portanto, a partir da convivência inevitável de todos esses temperamentos.

Tal como na peça, o conto tem início com a chegada das três netas idosas de Bernarda Alba, do funeral do marido de uma delas. Por conta da pandemia provocada pelo vírus Covid-19, elas permanecerão confinadas em uma única casa, no Largo do Boticário, no Rio de Janeiro. Com a passagem dos dias e das semanas, vamos conhecendo as histórias individuais das irmãs Augusta e Dolores Benavides Valdez, filhas de Martírio e da prima Amparo Benavides Balazar Ruiz, filha de Amélia e viúva de Gregório. Ficamos sabendo como Martírio e Amélia passaram a residir no Rio de Janeiro, ainda durante a Guerra Civil Espanhola.

A velhice das três mulheres amplifica a anormalidade do confinamento: elas precisam lidar com o luto, com o medo da morte, com o descaso político, com os segredos e com as culpas que carregam. As biografias se chocam, as personalidades se sobressaem, a realidade da pandemia marca profundamente cada uma delas, para melhor ou para pior.


Sobre A Autora - Claudia Barbieri


Nascida em Santo André, no estado de São Paulo, Cláudia Barbieri é hoje professora de Literatura Portuguesa na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Com mestrado e doutoramento em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista, tanto a sua dissertação como a sua tese centraram-se nas relações entre a cidade de Lisboa e a obra de Eça de Queirós.


A carregar
A carregar
Este site usa cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de navegação. Ao prosseguir estará a consentir a sua utilização.            
Ver Mais