x
Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Arquitectura

Francisco Xavier Esteves (1864-1944) foi o engenheiro responsável pela construção do edifício da Livraria Lello. Homem das ciências, cursou Engenharia na Academia Politécnica do Porto (1886). Tinha um gosto particular pela literatura, que manifestou ainda nos tempos de faculdade, onde dirigiu o Álbum literário comemorativo do terceiro centenário de Luís de Camões (1880). A sua afinidade com as letras fica para sempre marcada pela construção desta que é uma das livrarias mais emblemáticas do país e do mundo.

O primeiro olhar recai sempre sobre a inconfundível fachada. De estilo neogótico, é impressionante por si só, mas disputa protagonismo com as duas figuras que a ladeiam. Trata-se de um par de pinturas do professor José Bielman que simbolizam, uma a Arte, segurando uma escultura, e outra a Ciência, que exibe um dos símbolos da antropologia.

Já no interior da livraria, deparamo-nos com um conjunto de baixos-relevos onde se representam os fundadores da livraria, José Lello e António Lello. Ao longo da sala podem ser encontrados os bustos de alguns dos mais importantes escritores portugueses: Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Tomás Ribeiro, Teófilo Braga e Guerra Junqueiro.

Mas todos estes vultos têm a tarefa pouco invejável de competir pelas atenções com a famosa escadaria carmim. E poucas descrições lhe fazem tanta justiça como a encontrada no Album Descriptivo da própria livraria:

“Quem vae percorrendo a sala, vê então a escada que é uma peça de surpreendente atracção, pela aparência de leveza que encobre a audácia da sua concepção. Sente-se o desejo de subi-la e sente-se o receio de que o nosso peso a faça abater.” in Album Descriptivo, Livraria Chardron Lello & Irmão

Subindo esta escada que dá acesso ao primeiro piso é impossível não reparar no detalhe dos frisos que a rodeiam. Como é impossível não apreciar o imponente teto. Este ilude quem o aprecia: parece que vemos madeira talhada, quando na realidade se trata de gesso pintado, técnica que também foi usada nos ornamentos da escada. Já o vitral é o que parece, uma estrutura em vidro com 8 metros de comprimento e 3,5 metros de largura. A insígnia Decus in labore, dignidade no trabalho, enlaçada no monograma dos irmãos Lello, lembra a regra de ouro que se aplica a todos os que entram nesta casa, sejam colaboradores, clientes, leitores ou apenas curiosos.

O piso superior da livraria está recheado de detalhes arquitetónicos: o corrimão em talha de madeira, os apontamentos Art déco nas paredes e as colunas que se erguem desde o piso inferior.

Ao fundo da escada, podem ser encontrados dois bustos em bronze, ambos obras do escultor Abel Salazar. Pertencem a Eça de Queirós e Miguel de Cervantes, dois dos maiores escritores da Península Ibérica. Do nosso Eça, podemos dizer que é conhecido por obras-primas como Os Maias e O Crime do Padre Amaro e que a sua relação com a Lello é de grande proximidade. Já de Cervantes, consta que viveu dois anos em Lisboa, mas desconhece-se uma visita ao Porto. No entanto, pode encontrá-lo na Lello, em livro e eternizado neste busto.

Encontrando-se na galeria do piso inferior, a toda a volta há armários envidraçados com portadas em ogiva. Lá dentro estão os livros mais antigos da livraria, alguns têm a data da fundação da loja, outros são mais antigos. Há também livros raros e primeiras edições.